Por causa de uma canetada de uma única pessoa – o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo –, nós pagamos em agosto R$ 2,5 bilhões a mais só de Imposto sobre Operações Financeiras, na comparação com agosto do ano passado. A arrecadação foi recorde: R$ 8,45 bilhões só de IOF. Você toma empréstimo, paga esse imposto. Faz uma operação de câmbio ou compra alguma coisa lá fora, paga IOF. Se fizer qualquer tipo de operação que seja financeira, vai pagar. O governo tinha aumentado o IOF por decreto, o Congresso reagiu, mas o assunto foi para o Supremo; Moraes decidiu e o IOF subiu. Isso que o IOF não é daqueles impostos que basta uma medida administrativa para aumentar. É um imposto regulatório, não arrecadatório. Mas aqui no Brasil pode tudo.
O governo elevou o IOF e outros impostos porque está gastando cada vez mais, e precisa tirar o dinheiro de algum lugar. Ele não sai do bolso de Lula, como devem pensar muitos, achando que é Lula quem dá tudo ao povo. E isso me levou a uma sugestão, que apresentei a dois amigos advogados e um economista da Fundação Getulio Vargas – todos acharam uma boa ideia. O governo dá gás, dá energia elétrica mais barata, dá Bolsa Família, paga por filho. Para as pessoas, parece que o governo é bonzinho, e por isso elas concluem que é preciso manter esse governo bonzinho, ainda mais em véspera de eleição. Parece compra de voto. E se o Congresso aprovar uma lei dizendo que todo beneficiário de auxílios sociais do governo fica com o título eleitoral cancelado enquanto durar o benefício?
Por que sugiro isso? Porque é suspeito: eu ganho coisas do governo, então retribuo elegendo as pessoas que o governo quer que eu eleja. Mas o dinheiro não é do governo; ele é tirado dos pagadores de impostos para sustentar quem hoje está causando problemas à economia do país, especialmente onde há mais necessidade de mão de obra e ela não está aparecendo, porque o sujeito não vê vantagem em trabalhar o dia inteiro, suando, quando pode sentar na cadeira e ficar esperando o benefício – e, se ele tiver muitos filhos, o benefício é suficiente para viver. É essa questão que o prefeito de Bento Gonçalves se dispôs a resolver.
Trabalhei em Buenos Aires por três anos, e lá eu aprendi a ler o La Nación, que é um jornal importante. Pois no La Nación de quarta-feira saiu quase uma página inteira sobre a propina que a Odebrecht pagou no governo Kirchner para a construção de um grande túnel subterrâneo para trens. A obra está parada há duas décadas e a Justiça argentina se baseou em delações premiadas feitas na Lava Jato aqui do Brasil, delações que foram anuladas pelo ministro Dias Toffoli. Agora, a Justiça argentina está com um imenso problema: sabe o que aconteceu, e precisa ter a prova da denúncia para investigar mais. O La Nación explicou isso, e pelo jeito nós estamos exportando possível impunidade.
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