O ex-secretário assistente para o Financiamento do Terrorismo do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, Marshall Billingslea, afirmou ao Senado norte-americano que o governo de Nicolás Maduro usou recursos ilícitos e de origem petrolífera para financiar campanhas políticas de esquerda em diversos países da América Latina — entre eles, o Brasil.
Durante uma sessão do Comitê do Senado sobre Controle Internacional de Narcóticos, Billingslea declarou que a Venezuela se transformou em um centro de coordenação política e financeira para movimentos socialistas regionais.
“O regime que espalhou o socialismo na América Latina é o venezuelano. É o dinheiro sujo e corrupto da Venezuela que financiou campanhas políticas em países como Colômbia, México e Brasil”, disse o ex-funcionário, segundo o portal UHN Plus.
De acordo com ele, a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) teria sido usada como canal de repasses e lavagem de dinheiro para sustentar aliados políticos do chavismo no exterior.
“Com o fim da ditadura na Venezuela, acaba também o dinheiro para campanhas socialistas na região, as receitas de petróleo para Cuba e o apoio financeiro à Nicarágua”, afirmou Billingslea.
O ex-integrante do governo de Donald Trump também responsabilizou o regime venezuelano por transformar o país em um ponto estratégico para o tráfico internacional de drogas e lavagem de capitais.
Segundo ele, a Venezuela forneceu apoio logístico ao grupo libanês Hezbollah, oferecendo rotas de transporte, passaportes falsos e facilidades comerciais para movimentar drogas e armas em direção ao Hemisfério Ocidental.
“Com a infraestrutura do Hezbollah em colapso no Oriente Médio e o financiamento iraniano incerto, o grupo tende a fazer uma guinada para a América Latina, e a Venezuela é peça-chave nesse processo”, alertou Billingslea.
As declarações de Billingslea foram apresentadas após o depoimento do ex-diretor de inteligência venezuelano Hugo ‘El Pollo’ Carvajal, que foi extraditado para os Estados Unidos em 2023. Carvajal revelou que, durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, recursos desviados da PDVSA foram direcionados a líderes e partidos de esquerda no continente.
Entre os nomes citados por Carvajal estariam Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Néstor Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai), Ollanta Humala (Peru), Manuel Zelaya (Honduras) e Gustavo Petro (Colômbia).
Segundo ele, os repasses eram realizados por meio de intermediários, contratos fictícios e empresas estatais. A intenção seria fortalecer governos e movimentos alinhados ao chavismo e influenciar eleições em países da região.
As denúncias reacendem o debate sobre a influência da Venezuela em processos políticos latino-americanos e sobre o uso de estatais para financiar aliados ideológicos.
Nos Estados Unidos, senadores republicanos defendem a abertura de uma investigação mais ampla sobre financiamento estrangeiro a campanhas políticas na América do Sul, enquanto democratas pedem cautela e verificação independente das informações apresentadas por ex-agentes de inteligência.
“Se confirmadas, essas alegações representariam uma das maiores redes de financiamento político ilícito já descobertas no continente”, afirmou o senador norte-americano Marco Rubio.
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