A produtora Macaco Gordo, do empresário Francisco “Chico” Kertész, recebeu R$ 12 milhões em contratos de publicidade da Caixa Econômica Federal e da Embratur nos últimos dois anos, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo. Kertész é sócio do ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, na agência Nordx.
Os contratos foram firmados por intermédio de agências de publicidade licitadas, que subcontrataram a produtora sem necessidade de nova licitação. As agências afirmaram que a Macaco Gordo foi escolhida por oferecer o menor preço e cumprir os critérios técnicos exigidos.
Em nota, Sidônio Palmeira declarou que não teve participação nas contratações e que se afastou da gestão das empresas ao assumir o comando da Secom.
“Jamais indiquei fornecedores para campanhas federais”, afirmou o ministro.
A Caixa confirmou que, em 2025, a produtora recebeu R$ 4,3 milhões, o maior valor pago entre as empresas contratadas pela estatal no ano. Segundo o banco, todas as operações seguiram a legislação vigente e os regulamentos internos.
De acordo com os dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, a Macaco Gordo produziu oito campanhas publicitárias desde 2024 — seis para a Caixa e duas para a Embratur. Entre as peças, estão ações sobre a Mega da Virada, Quina de São João, Minha Casa Minha Vida, Poupançudos, e campanhas da Embratur sobre afroturismo e realidade virtual.
Em um dos contratos, a agência Calia dispensou a cotação de preços ao incluir um serviço adicional de R$ 687 mil em uma campanha da Caixa. A agência alegou que o acréscimo se tratava de complemento do contrato original, não configurando uma nova contratação.
No governo da Bahia, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) já havia apontado falta de transparência em contratos da produtora Macaco Gordo com a agência Nordx, de propriedade de Kertész e Palmeira. O caso resultou em um acordo judicial e na implementação de controles mais rigorosos para futuras contratações.
O empresário Chico Kertész afirmou que a produtora atua há 15 anos no mercado e que todas as contratações ocorreram de forma independente, a convite das agências, sem qualquer contato com a Secom.
“Fomos selecionados por apresentarmos o menor preço e atendermos plenamente aos requisitos técnicos”, disse Kertész.
A Caixa destacou que desde janeiro de 2023 já trabalhou com 41 produtoras de vídeo, enquanto a Embratur declarou que seus processos seguem chamadas públicas com propostas em envelopes lacrados. As agências Binder e Calia também negaram irregularidades e defenderam a lisura das contratações.
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