O governo do Equador decidiu proibir a entrada de cidadãos venezuelanos ligados ao regime de Nicolás Maduro, ampliando o cerco diplomático após a prisão do líder chavista. A medida foi anunciada no sábado, 3, pelo Ministério das Relações Exteriores e da Mobilidade Humana, poucos dias depois de Maduro ter sido capturado e transferido para os Estados Unidos.
A iniciativa segue movimento semelhante adotado anteriormente pela Argentina e foi apresentada como uma ação voltada à proteção da segurança nacional equatoriana.
A ordem partiu do Ministério do Interior, responsável pelo controle migratório, e contou com o respaldo de outros órgãos do Estado. As restrições atingem integrantes do alto escalão do regime chavista, incluindo militares, agentes de segurança, empresários e funcionários diretamente vinculados ao governo de Maduro.
Em nota oficial, o governo equatoriano afirmou que a decisão busca impedir riscos à estabilidade interna do país e deixou claro que não permitirá o uso indevido de mecanismos de asilo e refúgio para proteger pessoas ligadas ao antigo regime venezuelano.
O comunicado reforça que o Equador seguirá respeitando as normas nacionais e internacionais que regulam a concessão de asilo e refúgio, mas ressalta que tais instrumentos não podem ser utilizados como forma de blindagem política ou judicial.
A medida representa um endurecimento da postura equatoriana diante do cenário regional e do colapso institucional na Venezuela.
Pouco depois da captura de Maduro, o presidente Daniel Noboa manifestou apoio explícito à oposição venezuelana. Em publicação na rede social X, ele afirmou que “todos os narcotraficantes chavistas enfrentarão o seu dia de acerto de contas”.
Na mesma mensagem, o presidente equatoriano declarou que “toda a sua rede acabará por ruir em todo o continente”, sinalizando alinhamento com a ofensiva internacional contra aliados do regime deposto.
Daniel Noboa também se dirigiu diretamente à população da Venezuela. Segundo ele, “é hora de recuperar o país”, e o Equador estaria ao lado dos venezuelanos nesse processo. “Eles têm um aliado no Equador”, afirmou o presidente.
A fala reforça o posicionamento político do governo equatoriano diante da nova fase aberta após a captura de Maduro.
No domingo, 4, o oposicionista Edmundo González divulgou um vídeo no qual se apresentou como presidente legítimo da Venezuela. Na gravação, ele convocou as Forças Armadas a reconhecerem o que chamou de “mandato soberano” resultante das últimas eleições.
Segundo González, os acontecimentos recentes representam um ponto de inflexão na história do país. Para ele, trata-se de um avanço relevante, embora ainda insuficiente para a plena normalização institucional.
Em sua mensagem, González afirmou que a reconstrução do país só será possível com a libertação de todos os venezuelanos presos por razões políticas.
“A normalização real do país só será possível quando se liberte a todos os venezuelanos privados de liberdade por razões políticas, verdadeiros reféns de um sistema de perseguição, e se respeite sem ambiguidades a vontade majoritária expressa pelo povo venezuelano”, declarou.
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