Em Brasília, cresceu a pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo relatos obtidos por Oeste, o petista quer que Toffoli devolva à primeira instância o inquérito que envolve o Banco Master — e, em um movimento ainda mais contundente, avalie deixar o STF diante do desgaste político e institucional acumulado.
Hoje, o caso do Banco Master tramita no STF sob relatoria de Toffoli. Como a investigação não envolve autoridades com foro privilegiado, o caminho natural é que o processo avance na primeira instância, por meio da Justiça Federal. Ali, a ação começa com juízes de base, passa por produção de provas, depoimentos e instrução criminal, antes de chegar aos tribunais superiores.
Na avaliação dos petistas, a insistência de Toffoli em ser relator do caso é suficientemente forte para alimentar suspeitas, expor o tribunal a críticas e reforçar o discurso de interferência política em investigações sensíveis. O Palácio do Planalto acredita que esses fatores fragilizam Toffoli e abrem a possibilidade de tirá-lo da Corte.
O caso passou a gerar desgaste público para o STF e ruído político para o próprio governo, num momento em que Lula tenta reconstruir pontes com o centrão e reduzir frentes de crise simultâneas.
A avaliação no Planalto é que Toffoli se tornou um fator de tensão permanente, tanto pelo inquérito quanto pelas recentes controvérsias que envolvem o Resort Tayayá, frequentado pelo ministro e associado a familiares.
A articulação por Rodrigo Pacheco
É nesse contexto que surge, nos bastidores, a tentativa de Lula de emplacar o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) no lugar de Toffoli, caso a vaga venha a ser aberta.
A movimentação teria o objetivo de amenizar a crise do governo com o PSD, partido comandado por Gilberto Kassab. A indicação de Pacheco ao Supremo funcionaria como sinal de prestígio à legenda.
Como informou Oeste, Kassab chegou a discutir o futuro político de Pacheco em conversas reservadas com o ex-ministro José Dirceu. Na mesa, dois cenários: a indicação ao STF ou a candidatura ao governo de Minas Gerais em 2026. Até o momento, nenhuma das duas hipóteses se concretizou.
A vaga que será aberta no STF com a saída do ex-ministro Luís Roberto Barroso deve ser preenchida pelo advogado-geral da União, Jorge Messias. Nome de confiança do presidente. Lula indicou Messias em novembro, mas ainda não há definição de quando o Senado realizará a sabatina para validar ou não a ida dele ao Supremo.
Nesse cenário, a eventual saída de Toffoli abriria uma segunda vaga estratégica, permitindo a Lula reforçar sua influência no Supremo e, ao mesmo tempo, reorganizar alianças políticas no Congresso.
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