
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (28) manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade, era amplamente esperada pelo mercado financeiro, embora parte dos analistas ainda esperasse uma redução de 0,25 ponto percentual.
Com isso, a Selic permanece no patamar mais alto desde julho de 2006, quando chegou a 15,25% ao ano. A última alteração na taxa havia ocorrido em junho de 2025, com um aumento de 0,25 ponto.
Segundo o comunicado do Copom, o cenário externo continua marcado por incertezas, especialmente em razão da política econômica dos Estados Unidos e do ambiente geopolítico global. Esses fatores exigem cautela dos países emergentes, como o Brasil.
No plano doméstico, o comitê reconheceu sinais de desaceleração da atividade econômica, embora o mercado de trabalho continue mostrando resiliência. A inflação geral e as medidas subjacentes vêm apresentando arrefecimento, mas ainda permanecem acima da meta estabelecida.
As projeções de inflação apuradas pela pesquisa Focus continuam elevadas: 4,0% para 2026 e 3,8% para 2027. A própria estimativa do Copom para o terceiro trimestre de 2027, considerado o horizonte relevante da política monetária, é de 3,2%.
O Copom destacou que os riscos inflacionários, tanto de alta quanto de baixa, continuam acima do usual.
Entre os riscos de alta:
Desancoragem prolongada das expectativas de inflação;
Inflação de serviços mais persistente que o esperado;
Pressões externas e internas que provoquem uma desvalorização cambial contínua.
Entre os riscos de baixa:
Uma desaceleração da economia brasileira mais forte que a projetada;
Uma recessão global provocada por choques comerciais;
Queda nos preços de commodities que afete os preços internos.
Apesar da decisão de manter a Selic, o Copom sinalizou que poderá iniciar a flexibilização da política monetária em breve, caso os dados econômicos confirmem um cenário mais favorável para a inflação.
O comitê afirmou que sua prioridade segue sendo a convergência da inflação para a meta, mas que isso será feito com serenidade e cautela, observando o ritmo adequado diante da evolução do cenário fiscal e econômico.
Votaram pela manutenção da Selic os seguintes membros do Copom:
Gabriel Galípolo (presidente do BC)
Ailton de Aquino Santos
Gilneu Francisco Astolfi Vivan
Izabela Moreira Corrêa
Nilton José Schneider David
Paulo Picchetti
Rodrigo Alves Teixeira
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