O Grupo Fictor transferiu R$ 30 milhões à Titan Capital Holding, empresa do banqueiro Daniel Vorcaro em um paraíso fiscal, menos de um mês antes de anunciar a compra do Banco Master. Extratos bancários do Banco do Brasil obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo revelam que o pagamento milionário ocorreu em 23 de outubro de 2025. Naquele momento, o mercado já percebia sinais de crise de liquidez no banco de Vorcaro.
A Titan é conhecida na Faria Lima como “holding ostentação”. A empresa ocupa dois andares de um edifício icônico, com 4 mil metros quadrados e elevador privativo para o heliponto, mas mantém apenas dez funcionários. Sediada nas Ilhas Cayman, a offshore abriga investimentos pessoais de Vorcaro e tentou registrar a marca “Banco Titan” no Brasil em setembro de 2025.
A transação levanta suspeitas por causa do cronograma dos eventos. Em 17 de novembro, o Grupo Fictor anunciou o acordo para comprar o Master com investidores árabes desconhecidos. No dia seguinte, o Banco Central liquidou a instituição e a Polícia Federal prendeu Vorcaro. Agora, a Fictor enfrenta o próprio processo de recuperação judicial, com dívidas que somam R$ 4 bilhões.
Conexões do Fictor com a Operação Compliance Zero
As investigações revelam uma rede de conexões entre os envolvidos. A Titan Holding utiliza contatos da Sefer Investimentos em seus registros na Receita Federal. A Sefer, por sua vez, aparece como a segunda maior credora no pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor, com R$ 430 milhões a receber. A Polícia Federal já mirou a Sefer na Operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master.
A defesa de Vorcaro afirma que a estruturação da Titan no exterior faz parte de um projeto de reorganização societária legal para atrair investidores estrangeiros. O Grupo Fictor não se manifestou sobre o repasse de R$ 30 milhões. Em meio ao escândalo, o Palmeiras decidiu rescindir o contrato de patrocínio de R$ 30 milhões anuais que mantinha com a empresa de Rafael Góis.
O histórico da Sefer também inclui investigações anteriores por fraudes em previdências municipais na Operação Fundo Fake. A empresa operava com o nome de Índigo e possuía ligações com o Banco Máxima, instituição que Vorcaro adquiriu e rebatizou como Master. O cruzamento de dados bancários e societários agora permite que os investigadores mapeiem o fluxo de dinheiro que circulou entre as holdings antes do colapso do sistema financeiro do grupo.
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