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Banco do Brasil sofre calote de R$ 3,6 bilhões e vê inadimplência disparar

Caso isolado no atacado pressiona resultados e reduz lucro em 2025

Publicada em 13/02/2026 às 13:43h - 168 visualizações -


Banco do Brasil sofre calote de R$ 3,6 bilhões e vê inadimplência disparar



O Banco do  (BBAS3) revelou, na quarta-feira (11), durante a apresentação de seus resultados financeiros, que uma empresa do segmento atacadista deixou de cumprir compromissos assumidos com a instituição. O impacto foi de R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre de 2025.

O episódio elevou o índice de inadimplência acima de 90 dias para 5,17% no período. No trimestre anterior, a taxa estava em 4,51%, enquanto há um ano era de 3,16%. Segundo o banco, se o evento específico relacionado à carteira de Títulos e Valores Mobiliários fosse desconsiderado, o indicador teria ficado em 4,88%.

A inadimplência é um dos principais parâmetros para avaliar a saúde financeira de bancos, pois afeta provisões, rentabilidade e a capacidade de distribuir dividendos.

Lucro cai 45,4% em 2025

Ao longo de 2025, o Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 20,7 bilhões. O resultado ficou dentro da faixa revisada pela instituição, que estimava entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões. Ainda assim, representa retração de 45,4% em relação ao ano anterior.

Inicialmente, o banco projetava lucro entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões. As revisões sucessivas refletiram:

 
  • Aumento da inadimplência no agronegócio
  • Mudanças nas regras contábeis
  • Elevação do custo do crédito
  • Ambiente de juros elevados na economia brasileira

No quarto trimestre de 2025, o lucro líquido ajustado foi de R$ 5,7 bilhões — queda de 40,1% na comparação anual, mas alta de 51,7% frente ao terceiro trimestre. O resultado superou as estimativas de analistas da LSEG, que previam R$ 4,5 bilhões.

 

Projeções para 2026 indicam cautela

 

Para , o Banco do Brasil traçou metas focadas em rentabilidade e controle de riscos. A instituição projeta:

  • Lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões
  • Crescimento da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%
  • Expansão de 6% a 10% no crédito para pessoa física
  • Variação entre -3% e +1% para empresas
  • Oscilação entre -2% e +2% no agronegócio

O custo do crédito deve variar entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões, refletindo postura mais conservadora na concessão de empréstimos.

 

A presidente-executiva, Tarciana Medeiros, destacou como prioridades a mitigação de riscos, o fortalecimento das garantias, a manutenção da rentabilidade, o desenvolvimento de novos produtos financeiros e uma estratégia de longo prazo para o agronegócio.

Carteira de crédito supera R$ 1,3 trilhão

Ao fim de dezembro, a carteira de crédito expandida alcançou quase R$ 1,3 trilhão, avanço de 2,5% em 12 meses.

Pessoa Física

  • Crescimento anual de 7,6%
  • Inadimplência de 6,56%

Pessoa Jurídica

  • Carteira estável
  • Inadimplência de 3,75%

Agronegócio

  • Crescimento anual de 2,1%
  • Inadimplência de 6,09%, considerada alta relevante

No trimestre, o custo do crédito ficou próximo de R$ 18 bilhões, aumento de 93,9% em relação ao mesmo período de 2024.

 

ROE abaixo dos concorrentes privados

O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) do Banco do Brasil foi de 12,4% no quarto trimestre. Embora superior aos 8,4% do trimestre anterior, o índice permanece abaixo dos grandes bancos privados.

  • Itaú Unibanco – ROE de 24,4%
  • Santander Brasil – ROE de 17,6%
  • Bradesco – ROE de 15,2%

A margem financeira bruta somou R$ 27,8 bilhões, enquanto o índice de eficiência atingiu 27,7%. O índice de Basileia ficou em 15,13%, indicando solidez de capital.

 

Dividendos e cenário para investidores

O banco anunciou a distribuição de R$ 1,2 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP), movimento relevante para acionistas focados em renda passiva e estratégias de longo prazo.

O balanço de 2025 revela uma instituição em fase de transição: capital fortalecido, retorno voltando a dois dígitos, inadimplência ainda pressionada e rentabilidade inferior à dos concorrentes privados.

Para investidores de renda variável, dividendos e ações do setor bancário, 2026 será determinante para avaliar a capacidade do BBAS3 de retomar patamares mais elevados de rentabilidade no mercado financeiro.

 

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