A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo componente após ministros passarem a suspeitar que a reunião reservada realizada na quinta-feira (12), que resultou na saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master, possa ter sido gravada clandestinamente. As informações são da Folha.
A desconfiança surgiu depois que o site Poder360 publicou uma reportagem reproduzindo, de forma literal e detalhada, falas atribuídas a diversos ministros durante o encontro — que era fechado e não tinha registro oficial divulgado.
O grau de precisão das declarações levantou a suspeita entre integrantes da Corte de que alguém teria gravado a sessão. A hipótese passou a circular internamente e gerou forte desconforto.
Toffoli negou qualquer gravação. “Não gravei e não relatei nada para ninguém”, afirmou.
Segundo relatos de ministros, o ambiente no STF é de perplexidade. Caso se confirme que houve gravação de uma reunião secreta, o episódio representaria quebra grave de confiança entre os membros da Corte.
O Supremo funciona, em grande medida, com base na franqueza dos debates internos. A possibilidade de que declarações feitas em ambiente reservado tenham sido registradas e divulgadas fragiliza esse pacto informal de confidencialidade.
A reportagem trouxe falas literais de ministros que demonstraram apoio pessoal a Toffoli e críticas à atuação da Polícia Federal, responsável pelo relatório que apontou menções ao ministro em mensagens do celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre os trechos divulgados:
Gilmar Mendes teria sugerido que a Polícia Federal reagiu a decisões anteriores de Toffoli no caso.
Cármen Lúcia teria mencionado o desgaste da imagem do STF e a necessidade de proteger a institucionalidade.
Luiz Fux afirmou que a palavra de Toffoli tem “fé pública”.
Nunes Marques criticou a possibilidade de votação sobre suspeição.
Cristiano Zanin e Flávio Dino fizeram críticas duras ao relatório da PF.
André Mendonça questionou a caracterização de “relação íntima” atribuída a Toffoli.
Apesar das manifestações de apoio e das críticas à Polícia Federal, os ministros decidiram que a saída de Toffoli da relatoria era a solução mais adequada para preservar a imagem da Corte.
O episódio revelou um contraste importante: muitos ministros defenderam Toffoli no plano pessoal e jurídico, mas entenderam que sua permanência poderia aprofundar a crise institucional.
A decisão de redistribuir o caso foi apresentada como medida para proteger o STF de maior desgaste público.
Agora, a suspeita de gravação — mesmo negada por Toffoli — é vista como potencialmente mais danosa do que o próprio debate sobre a relatoria.
Se confirmada, poderia isolar o ministro dentro da Corte, por representar uma ruptura de confiança entre colegas.
O caso expõe não apenas as tensões em torno do Banco Master, mas também a fragilidade do ambiente interno do STF em meio a investigações que atingem integrantes da própria instituição.
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