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Questionamentos sobre Imparcialidade: Voto Favorável de Moraes a Tabata Amaral e Presença no Casamento da Deputada Levantam Debates sobre Proximidade entre Judiciário e Política

Publicada em 23/02/2026 às 13:00h - 180 visualizações - ZY3


Questionamentos sobre Imparcialidade: Voto Favorável de Moraes a Tabata Amaral e Presença no Casamento da Deputada Levantam Debates sobre Proximidade entre Judiciário e Política



Em um contexto onde a independência do Judiciário é cada vez mais escrutinada, dois eventos envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) chamam atenção e geram questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e parcialidade. Em 2023, Moraes votou decisivamente a favor de uma queixa-crime apresentada por Amaral contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em um caso relacionado ao projeto de distribuição gratuita de absorventes higiênicos. Três anos depois, em 21 de fevereiro de 2026, o ministro marcou presença no casamento da deputada com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao lado de outras autoridades políticas. Essa sequência de acontecimentos levanta suspeitas de favorecimento e compromete a percepção de neutralidade esperada de um magistrado do STF.

O caso judicial remonta a outubro de 2021, quando Eduardo Bolsonaro publicou nas redes sociais insinuações de que o projeto de lei defendido por Tabata Amaral – que visava combater a pobreza menstrual por meio da distribuição de absorventes em espaços públicos – seria motivado por supostos patrocínios de um bilionário ligado à indústria de higiene pessoal. As postagens foram consideradas difamatórias pela deputada, que ingressou com uma queixa-crime no STF. Inicialmente, o relator, ministro Dias Toffoli, votou pelo arquivamento, alegando imunidade parlamentar. No entanto, Alexandre de Moraes abriu divergência, classificando as declarações de Bolsonaro como "abertamente misóginas" e "em descompasso com os princípios constitucionais". Seu voto foi seguido por outros ministros, resultando em uma maioria de 6 a 5 para tornar Eduardo Bolsonaro réu por difamação. Essa decisão não apenas protegeu a imagem de Tabata Amaral, mas também reforçou sua agenda política progressista, alinhada ao combate à desigualdade de gênero.

Avançando para 2026, a presença de Moraes no casamento de Tabata Amaral e João Campos, realizado na Capela de São Benedito, na Praia dos Carneiros (Tamandaré, PE), adiciona uma camada de proximidade pessoal e política ao relacionamento. A cerimônia, descrita como discreta mas com convidados de alto escalão, incluiu o vice-presidente Geraldo Alckmin (que exercia a presidência interinamente), ministros como José Múcio Monteiro e Wolney Queiroz, além de Moraes acompanhado de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o ministro sendo assediado por fotos e interagindo descontraidamente com os presentes, o que contrasta com a sobriedade esperada de um juiz da mais alta corte do país. O evento, ocorrido em um resort litorâneo, reuniu figuras do PSB e aliados do governo Lula, partido ao qual Tabata e Campos estão filiados.

Casamento de Tabata Amaral e João Campos: veja quem estava

A relação entre esses dois episódios sugere um possível favorecimento: o voto de Moraes em 2023 beneficiou diretamente Tabata Amaral em um momento de exposição negativa, enquanto sua presença no casamento em 2026 indica laços sociais que vão além do âmbito profissional. Críticos argumentam que essa proximidade compromete a imparcialidade judicial, especialmente em um STF já criticado por decisões vistas como politizadas. "A garantia constitucional da imunidade parlamentar não pode ser estendida a ofensas pessoais, mas quando um ministro se envolve socialmente com partes beneficiadas por suas decisões, isso erode a confiança no sistema", comentou um analista jurídico consultado para esta matéria, sob condição de anonimato.

Nas redes sociais, a repercussão foi imediata. Postagens irônicas destacam Moraes como "protegendo o Estado Democrático de Direito" em eventos sociais, enquanto outros questionam a recuperação milagrosa da esposa do ministro, que estaria hospitalizada recentemente, para comparecer à festa. Esses comentários refletem um descontentamento crescente com a interseção entre poder judiciário e círculos políticos, especialmente em um país onde o STF tem assumido papéis cada vez mais proeminentes em investigações e julgamentos envolvendo figuras públicas.

Especialistas em ética judicial apontam que, embora não haja proibições explícitas a participações em eventos sociais, o Código de Ética da Magistratura recomenda que juízes evitem situações que possam gerar aparência de parcialidade. No caso de Moraes, conhecido por decisões firmes contra fake news e extremismo, essa associação com políticos progressistas pode ser interpretada como alinhamento ideológico, prejudicando a imagem de neutralidade. Tabata Amaral, por sua vez, tem se posicionado como uma voz jovem e reformista no Congresso, mas o episódio reforça narrativas de que o Judiciário interfere em disputas políticas.

 

Procurados para comentário, o gabinete de Alexandre de Moraes e a assessoria de Tabata Amaral não responderam até o fechamento desta matéria. Enquanto isso, o debate sobre a separação de poderes continua, com esses eventos servindo como lembrete de que a imparcialidade não é apenas uma questão de lei, mas de percepção pública. Em tempos de polarização, ações como essas podem minar a credibilidade das instituições democráticas.

 

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