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Ex-comandante da Marinha revela dependência de 97% de fertilizantes da Rússia e China e risco à soberania nacional: "Se você corta o fluxo acaba a comida"

Dependência externa de fertilizantes atinge até 96% expõe vulnerabilidade logística do Brasil, alerta ex-Comandante da Marinha

Publicada em 25/03/2026 às 09:17h - 32 visualizações - Sociedade Militar


Ex-comandante da Marinha revela dependência de 97% de fertilizantes da Rússia e China e risco à soberania nacional:



O ex-Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior, defendeu que o Brasil passe a abordar na política de defesa questões como o fornecimento de energia e a segurança sanitária e não apenas equipamentos militares.

Em entrevista concedida ao colunista de política do Estadão, Marcelo Godoy, publicada no dia 23 de março, o militar afirma que essas questões têm impacto potente e uma dimensão muito grande, afetando diretamente a sobrevivência e a prosperidade de um país em meio a conflitos.

“Se você corta o fluxo de fertilizante [para o Brasil], acaba a comida”.

Fertilizantes são essenciais para a produção de alimentos porque repõem no solo os nutrientes que as plantas precisam para crescer, principalmente nitrogênio, fósforo e potássio, que se esgotam com o cultivo contínuo. Sem essa reposição, o solo perde fertilidade, as plantas se desenvolvem menos e a produtividade cai.

Ex-Comandante da Marinha cita exemplo do Irã

Para explicar melhor seu raciocínio, Ilques Barbosa Junior citou a atual guerra contra o Irã capitaneada pelos EUA e Israel.

“O que o Irã fez? Vou cortar um fluxo logístico vital para o mundo, o estreito de Ormuz. Isso é um assunto que não envolve só a defesa – envolve, diretamente, se você for retirar a mina, o campo minado –, mas também outras áreas”.

A fala do Almirante de Esquadra, que chefiou a Marinha de 2019 a 2021 durante o governo de Jair Bolsonaro, tem ligação direta com o abandono do Brasil da produção de fertilizantes.

Dependência do Brasil chega a 96% e expõe vulnerabilidade

Hoje, a dependência do Brasil em fertilizantes nitrogenados é de 96%, segundo a diretora-técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Ticiana Alvares.

O dado foi revelado por Ticiana durante audiência pública na Câmara dos Deputados em 21 de outubro de 2025 que discutia o Plano Nacional de Fertilizantes.

Em 2015, quando o Brasil contava com a Fafens (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados) e a Ansa (Araucária Nitrogenados), subsidiária da Petrobras retomada em 2024, a dependência era de 75%.

Fechamento de fábricas ampliou dependência externa

O aumento da dependência está associado à interrupção da produção nacional de fertilizantes.

Ao Estadão, Ilques Barbosa Junior criticou essa decisão:

“É preciso você trazer para perto de si as cadeias logísticas e cortá-las ou, melhor ainda, ter em casa. Quando nós interrompemos a fábrica de fertilizantes do Brasil, a argumentação envolvia aspectos financeiros e ineficiência. Perfeito. Não corrigimos procedimentos e fechamos a fábrica. Hoje não temos fertilizantes. Essa é a tristeza. O fertilizante é vital? Então, meu amigo, o País vai pagar para fazer o fertilizante”.

Rússia e China lideram fornecimento ao Brasil

Segundo levantamento da Fazcomex, com dados da ComexStat, a Rússia é hoje o maior fornecedor de fertilizantes para o Brasil, com 23% de participação nesse segmento.

Em 2025, o Brasil importou 3,5 bilhões de dólares em fertilizantes do país de Vladimir Putin.

Em 2º lugar veio a China, com 14% de participação e US$ 2,1 bilhões de dólares pagos pelo Brasil.

Em 3º lugar, com 11% de participação, estava o Marrocos, com US$ 1,59 bilhão de dólares pagos pelo Brasil em fertilizantes.

Completam a lista:

5º lugar – EUA – US$ 853 milhões

6º lugar – Catar – US$ 692 milhões

7º lugar – Bielorrússia – US$ 508 milhões

8º lugar – Arábia Saudita – US$ 465 milhões

9º lugar – Argélia – US$ 433 milhões

10º lugar – Alemanha – US$ 428 milhões

Plano do governo tenta reduzir dependência, mas meta é criticada

Segundo o assessor da Secretaria Executiva do Ministério da Agricultura, José Carlos Polidoro, o plano do Brasil é, até 2050, reduzir a dependência externa em fertilizantes para 50% e também garantir autonomia tecnológica.

Mas o engenheiro Rosildo Silva, ex-gerente da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados, avaliou que a meta do plano não atende à demanda nacional.

Segundo ele, em 2024 o Brasil importou 8,3 milhões de toneladas do produto, enquanto o plano prevê apenas 6,9 milhões em 2030 e 9,5 milhões em 2050, num contexto de possível crescimento da população.

Defesa exige integração entre civis e militares

O Ex-Comandante da Marinha ainda ressaltou que a análise de defesa e segurança precisa de uma interação muito grande entre militares e civis.

“São os civis que lideram, quem ganha a guerra é a política, não é o militar. O militar é um segmento da estrutura, tem o segmento de Força Armada, tem o segmento de segurança interna. sem a questão da segurança sanitária, da ambiental… isso não existe. Nada”.

 

 

 

 

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