O Brasil atingiu a marca histórica de 81,7 milhões de pessoas com contas atrasadas em fevereiro deste ano. O volume de inadimplentes disparou logo que o programa Desenrola saiu de cena, em maio de 2024. Com o fim da medida, o país ganhou 9 milhões de novos nomes na lista de restrições, o que perfaz o pior índice de débitos em aberto desde 2012.
A inadimplência na carteira de crédito das pessoas físicas bateu 5,24%. Esse é o maior nível em 14 anos. O Ministério da Fazenda estuda agora uma nova versão do programa para tentar socorrer quem deve em cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O governo Luiz Inácio Lula da Silva planeja oferecer descontos de até 80% nessas modalidades.
O buraco dos bancos e das bets
O cartão de crédito lidera a lista de pendências e representa 26,7% do total. Isso faz com que os bancos apareçam como os principais credores. Em seguida, vêm as operadoras dos serviços de energia e água, 21,3% de inadimplentes. Especialistas afirmam que o governo tentou curar apenas os sintomas do problema. A explosão das bets, os juros altos e a oferta desenfreada de crédito fizeram as dívidas voltarem com força.
O Desenrola durou dez meses e atendeu 15 milhões de pessoas. O número ficou muito abaixo da meta inicial, que era de 30 milhões. O programa renegociou R$ 53,2 bilhões, o que equivale a apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo com o alívio temporário para a baixa renda, o total de pessoas com contas em atraso no país não parou de subir.
Barreiras digitais e erros
A execução do programa enfrentou problemas técnicos logo que a segunda fase começou. O governo exigiu que os interessados tivessem contas nível ouro ou prata no portal Gov.br para acessar a plataforma de descontos. Essa burocracia digital travou a participação da população mais pobre, que era o público-alvo da promessa de campanha de Lula.
Analistas criticam a falta de foco na raiz do superendividamento. Para eles, renegociar débitos sem atacar as causas apenas adia a crise financeira das famílias. Com a saída de cena da primeira tentativa governamental, o contingente de brasileiros com nome sujo segue em expansão acelerada.
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