O cruzamento de datas e registros oficiais expõe uma sequência de encontros entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em um período crítico das investigações que apuram suposto pagamento de propina ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
De acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal, Vorcaro teve acesso ao processo sigiloso em 24 de junho de 2025. Sete dias depois, em 2 de julho, às 08h46, ele entrou na sede do Banco Central, em Brasília, onde permaneceu até 10h09, em reunião com Galípolo.
A cronologia das visitas reforça questionamentos. O procedimento investigativo havia sido autuado pelo Ministério Público Federal em 30 de abril de 2025 — mês em que Vorcaro esteve ao menos duas vezes no Banco Central.
Outro ponto relevante envolve a interrupção do fluxo financeiro investigado. Em 10 de maio de 2025, Vorcaro determinou ao advogado Daniel Monteiro, apontado como operador do esquema, que suspendesse os pagamentos, que somariam R$ 146,5 milhões.
Dois dias antes dessa decisão, em 8 de maio, o banqueiro já havia retornado ao Banco Central. Registros da portaria indicam que ele entrou às 17h47, permaneceu por mais de uma hora e saiu às 19h06 — novamente após reunião com Galípolo.
A sequência de encontros, combinada com o acesso antecipado a informações sigilosas, coloca sob análise a interlocução entre agentes do sistema financeiro e autoridades em meio a uma investigação de alta sensibilidade.
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