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Negócio do Banco Master envolve Temer, investidores árabes e suspeita de plano para fuga de Vorcaro, diz Estadão

Documentos obtidos pela investigação indicam que a operação, é vista pela Polícia Federal como possível tentativa de viabilizar sua saída do país sob justificativa empresarial.

Publicada em 28/04/2026 às 09:16h - 53 visualizações - Hora Brasilia


Negócio do Banco Master envolve Temer, investidores árabes e suspeita de plano para fuga de Vorcaro, diz Estadão



Segundo o Estadão, a tentativa de venda do Banco Master revelou uma rede de negociações que envolve investidores estrangeiros, intermediários internacionais e o ex-presidente Michel Temer. Documentos obtidos pela investigação indicam que a operação, anunciada às vésperas da primeira prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, é vista pela Polícia Federal como possível tentativa de viabilizar sua saída do país sob justificativa empresarial.

A negociação foi apresentada como uma aquisição pelo grupo Fictor, com aporte inicial de R$ 3 bilhões e participação de fundos dos Emirados Árabes Unidos. Investigadores, no entanto, apontam inconsistências no negócio e levantam suspeitas de que a operação foi estruturada de forma acelerada após Vorcaro ter sido alertado sobre a possibilidade de prisão. O plano de voo do jatinho no qual ele embarcaria indicava destino final em Malta, embora a viagem estivesse vinculada a reuniões em Dubai.

Registros mostram que, mesmo após a liquidação do banco, contratos foram assinados com supostos investidores estrangeiros. Um dos documentos traz a assinatura de representantes ligados à gestora Royal Capital, com intermediação de empresários brasileiros. Em alguns casos, assinaturas estrangeiras aparecem vinculadas a CPFs de terceiros no Brasil, o que levanta dúvidas sobre a autenticidade e a estrutura jurídica das transações.

A apuração também identifica a atuação de intermediários com acesso a investidores árabes e russos, além de figuras conhecidas no meio  político e empresarial. Temer teria participado de articulações para apresentar Vorcaro a membros da realeza dos Emirados, em meio à tentativa de encontrar um comprador para o banco já sob pressão de investigações.

Paralelamente, a Banco Central do Brasil já havia vetado a venda do Master ao Banco de Brasília meses antes, apontando riscos elevados e inconsistências nos ativos. Ainda assim, o banco estatal adquiriu parte relevante de carteiras de crédito da instituição, operação que gerou prejuízos bilionários e agravou a crise.

A operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, revelou indícios de um esquema que teria movimentado bilhões por meio de carteiras de crédito irregulares. No dia seguinte à prisão de Vorcaro, o Banco Central decretou a liquidação do Master, afetando mais de 1,6 milhão de clientes e acionando o Fundo Garantidor de Créditos em uma das maiores operações de ressarcimento da história.

Apesar da sequência de contratos, reuniões e promessas de investimento, o negócio nunca foi concluído. A Fictor entrou em recuperação judicial semanas depois, alegando crise de liquidez, enquanto Vorcaro segue investigado e tenta negociar acordo de colaboração para reduzir eventual condenação.




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