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PF investiga contrabando em voo com empresários e Hugo Motta

Relatório aponta bagagens fora do raio-X em voo vindo de paraíso fiscal; presença de autoridades com foro leva investigação ao STF

Publicada em 29/04/2026 às 08:38h - 28 visualizações - Revista Time Line


PF investiga contrabando em voo com empresários e Hugo Motta



BRASÍLIA, 28 de abril de 2026 — A Polícia Federal abriu inquérito para apurar suspeitas de descaminho ou contrabando em um voo realizado em aeronave particular de um empresário investigado na CPI das Bets. O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal após a identificação de parlamentares a bordo, segundo relatório da investigação.

De acordo com a PF, estavam no voo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Até o momento, apenas Motta se manifestou, afirmando em nota que cumpriu “todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” e que aguarda posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os demais não comentaram.

A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, sócio de empresas de apostas online que operam plataformas como 7Games, Betão e R7.BET. Conhecido como “Fernandin OIG”, ele também estava no voo, realizado em abril de 2025, período em que a CPI das Bets estava em andamento no Senado.

Segundo a investigação, o voo partiu de Saint Martin, no Caribe, considerado paraíso fiscal, e pousou no aeroporto executivo Catarina, em São Roque (SP), na noite de 20 de abril de 2025. As suspeitas surgiram a partir de outro inquérito envolvendo um auditor fiscal, Marco Antônio Canella, já indiciado por facilitação de contrabando ou descaminho.

Imagens de câmeras de segurança mostram que um funcionário ligado ao empresário desembarcou com sete volumes de bagagem que passaram fora do raio-X, procedimento considerado irregular. A PF ainda não identificou os proprietários dessas bagagens nem o conteúdo transportado.

Os parlamentares, segundo o relatório, submeteram suas bagagens ao procedimento padrão. No entanto, os investigadores afirmam que ainda não é possível descartar eventual vínculo entre os itens transportados irregularmente e passageiros do voo.

Em despacho, a PF destacou que a continuidade da apuração poderia indicar envolvimento de autoridades com foro privilegiado, justificando o envio do caso ao STF. O processo foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que encaminhou o inquérito à PGR para análise sobre eventual prosseguimento das investigações na Corte.

Procurado, o empresário afirmou que as bagagens pertenciam ao comandante da aeronave. “Recebi a imagem e falei com o comandante, que disse se tratar de itens pessoais, com desembarque realizado dentro da normalidade”, declarou.

A PF segue apurando os fatos.




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