A agência de publicidade responsável pela criação da mascote Pilili, lançada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para celebrar os 30 anos da urna eletrônica, mantém contrato de R$ 6 milhões por ano com a Corte para prestação de serviços publicitários. A criação da personagem é assinada pela Octopus Comunicação, empresa sediada em Santo André (SP) e chefiada pelo publicitário Paulo Cesar Ferrari.
Além da mascote Pilili, a Octopus Comunicação também é responsável por outras campanhas institucionais desenvolvidas para o Tribunal Superior Eleitoral. Somente em 2026, o TSE já empenhou R$ 5,4 milhões para pagamentos relacionados ao contrato com a agência.
A mascote foi apresentada oficialmente na última segunda-feira (4), durante evento promovido pelo tribunal.
Descrita pelo TSE como uma urna eletrônica antropomórfica com traços cartunescos, a personagem foi desenvolvida com proposta de neutralidade.
– Sem gênero definido, pois nasceu da inspiração de uma máquina, a mascote representa a neutralidade, sem estereótipos. O nome Pilili é uma onomatopeia do som emitido pela urna eletrônica, conhecido ao longo das últimas eleições brasileiras – informou o tribunal, em seu site oficial.
A campanha envolvendo o mascote lembrou muito a do zé gotinha para para a campanha de vacinação, cujo intuito é de amenizar o medo de crianças e tornar o hábito de vacina algo bom e corriqueiro, o que é um motivo correto.
Criar um mascote de uma urna eletrônica é tratar o eleitor de forma infantil, pois a na visão tacanha da Agência de propaganda e portanto do TSE, pois remete a não ter "medo" da urna e buscar tratar de forma mais amigável o processo eleitoral, mas qual o principal motivo que levou ao tal mascote?
A resposta é mais ampla do que se imagina.
De modo geral, as urnas não transmitem confiança a parte do eleitorado, assim como todo o processo eleitoral e enumero alguns dos motivos:
1) Proibido criticar o sistema: Questionar a geração da urna ou mesmo o sistema tem gerado processos, prisões e repreensão nas redes sociais por parte da Justiça. Sendo assim, não é possível a sociedade, principalmente os mais críticos, participar do aprimoramento do sistema;
2) O próprio TSE já havia aprovado a impressão do voto do voto eletrônico, mas quando um político não alinha do ao sistema ganhou as eleições, juízes da suprema corte entraram no congresso e junto com os presidentes de partidos, barraram a lei do congresso para o aprimoramento do sistema com a introdução do registro do voto em forma impressa;
3) A forma de apuração não está contemplada na constituição, uma vez que o voto deve ter um escrutínio público, ou seja, materializado em que qualquer um possa contar. Hoje a contagem é eletrônica e feita no TSE em que poucos tem acesso;
4) Recentemente, urnas mais antigas foram levadas para reciclagem. Essa destruição de urnas foi aprovada na gestão na gestão de Alexandre de Moraes e concretizada na gestão de Cármen Lúcia. Foram adquiridas novas urnas e perdeu-se uma ótima oportunidade para comprar urnas de terceira geração, que a corte reluta em evoluir o processo.
O que vemos nas redes sociais?
Uma campanha infantilizada, tratando o eleitor como uma criança cheia de medos infundados, mas que a pouco foi criticada pela ministrar Cármen Lúcia da seguinte forma: "é preciso impedir que 213 milhões de pequenos tiranos soberanos [em referência à população brasileira] dominem os espaços digitais no Brasil”.
Por fim, o mascote revela o desespero e incompetência do sistema dar tranquilidade ao processo eleitoral, mas fica aqui a pergunta:
Você confia no sistema?
Paulo S. Capeleti
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