As empresas estatais federais acumularam um déficit de R$ 5,94 bilhões entre janeiro e abril de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado representa o pior desempenho da série histórica iniciada em 2022 e já supera todo o saldo negativo registrado ao longo de 2025.
No ano passado, o déficit das estatais federais havia encerrado em cerca de R$ 5,1 bilhões. Agora, em apenas quatro meses, o rombo já ultrapassou esse valor, reforçando os alertas sobre a situação financeira de parte das empresas controladas pela União.
Os números mostram que a deterioração das contas ocorreu logo no início do ano. Somente em janeiro, as estatais federais registraram um déficit de aproximadamente R$ 4,9 bilhões, concentrando grande parte do resultado negativo acumulado até abril.
No quarto mês do ano, o conjunto das empresas públicas apresentou déficit de R$ 1,78 bilhão. Desse total, as estatais federais responderam por R$ 1,53 bilhão negativos, enquanto as empresas estaduais registraram déficit de R$ 326 milhões. As empresas municipais foram a exceção, encerrando abril com superávit de R$ 76 milhões.
A comparação histórica evidencia a piora do cenário. Entre janeiro e abril de 2025, o déficit havia sido de R$ 2,73 bilhões. No mesmo período de 2024, o resultado negativo somava R$ 1,68 bilhão. O valor atual mais do que dobrou em relação ao ano passado.
Correios pressionam resultado
O desempenho das estatais ocorre em meio às dificuldades enfrentadas por algumas das principais empresas públicas do país. Entre elas, os Correios aparecem como um dos casos mais preocupantes.
A estatal informou ter encerrado 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões e, no ano passado, contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de bancos com garantia da União.
Na última semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Tesouro Nacional aperfeiçoe os critérios utilizados na análise de crédito para empresas estatais. A decisão ocorreu após o tribunal identificar irregularidades relacionadas à concessão de financiamento aos Correios.
Indicador exclui Petrobras e Eletrobras
O levantamento do Banco Central considera apenas as empresas estatais federais dependentes ou com maior fragilidade financeira. Grandes companhias como Petrobras e Eletrobras não entram na metodologia utilizada pelo indicador.
Por isso, economistas avaliam que os números refletem principalmente a situação das empresas que dependem de maior suporte financeiro do setor público e que enfrentam desafios operacionais e fiscais mais significativos.
O avanço do déficit ocorre em um momento em que o governo busca equilibrar as contas públicas e cumprir metas fiscais, aumentando a pressão sobre a gestão e a eficiência das empresas controladas pela União.
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