Em declarações recentes em podcast, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu traição por parte de setores das Forças Armadas durante o processo eleitoral de 2022. Segundo a parlamentar, essa suposta omissão ou conivência dos militares contribuiu para o desfecho das eleições e para os eventos subsequentes.
No episódio do IronTalks, Bia Kicis reforçou uma narrativa de que o Supremo Tribunal Federal (STF) consultou a cúpula militar antes de intensificar ações contra a gestão Bolsonaro. A deputada destacou que essa interlocução teria dado “segurança” ao Judiciário para avançar, sabendo que não haveria resistência significativa das Forças Armadas.
Essa afirmação ganha reforço em reportagem da Revista Oeste (24/11/2023), que cobre o lançamento do livro O Tribunal, dos jornalistas Felipe Recondo e Luiz Weber. De acordo com a publicação, ministros do STF mantiveram contatos com a alta cúpula militar antes de “dobrar a aposta” contra Bolsonaro.
“Apenas depois de constatarem que a caserna não se aventuraria em um suposto golpe de Estado, os juízes do STF teriam avançado o sinal”, relata a matéria. O livro menciona, por exemplo, a validação do “inquérito do fim do mundo” e sondagens feitas pelo então presidente do TSE, ministro Edson Fachin, junto a comandantes regionais.
Ainda segundo a Oeste, ao assumir o TSE, Fachin enviou emissários que trouxeram a informação de que os comandantes não compartilhavam das preocupações de Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas. Isso teria permitido ao STF ignorar questionamentos do Ministério da Defesa.
Pesquisas no X revelam que as falas de Bia Kicis repercutiram entre apoiadores de Bolsonaro, gerando debates acalorados sobre “traição” das Forças Armadas. Usuários citam a deputada ao afirmar que “Bolsonaro foi traído por todas as forças armadas” e que comandantes teriam priorizado interesses próprios ou evitado confronto.
Postagens recentes destacam acusações de que a alta cúpula não suportava um “ex-capitão” no comando e teria facilitado o caminho para o adversário, além de críticas à suposta passividade militar diante de questionamentos sobre o processo eleitoral. Esses relatos amplificam o sentimento de frustração entre bolsonaristas.
Um dos episódios mais citados como exemplo de suposta perfídia militar ocorreu no dia 9 de janeiro de 2023, no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Após os atos de invasão e depredação das sedes dos Três Poderes no dia anterior, um capitão do Exército utilizou megafone para orientar os manifestantes a recolherem seus pertences e embarcarem em dezenas de ônibus (cerca de 40 a 50 veículos), sob a promessa de que seriam evacuados da área ou levados para fora de Brasília, permitindo seu retorno às origens.
Muitos acampados, incluindo pessoas com famílias e pertences, obedeceram e entraram nos ônibus de forma pacífica. No entanto, os veículos foram direcionados para a superintendência da Polícia Federal e para a Academia Nacional de Polícia, resultando na prisão em massa de aproximadamente 1.927 pessoas. Centenas permaneceram detidas por longos períodos, com condenações posteriores por associação criminosa e incitação.
Apoiadores de Bolsonaro classificam essa ação como uma traição ou engodo (“perfídia”), argumentando que os militares induziram os manifestantes a uma falsa sensação de segurança, facilitando sua detenção coletiva sem resistência. Vídeos gravados dentro dos ônibus mostram manifestantes expressando decepção e sensação de terem sido enganados pelas Forças Armadas. Esse episódio reforça, para críticos como Bia Kicis e bolsonaristas, a narrativa de omissão ou conivência de parte da cúpula militar com as instituições que investigavam o ex-presidente.
Bia Kicis, uma das principais aliadas de Bolsonaro no Congresso, tem usado entrevistas e podcasts para criticar o que considera perseguição judicial contra o ex-presidente e para questionar o papel das instituições em 2022-2023. Suas falas se inserem em um debate mais amplo sobre o relacionamento entre Bolsonaro e as Forças Armadas, marcado por elogios iniciais e, posteriormente, por denúncias de omissão ou oposição velada de parte da alta oficialidade.
A matéria reflete um tema polarizador na política brasileira: de um lado, acusações de traição e conluio; de outro, visões que atribuem responsabilidade direta a Bolsonaro por eventuais planos de ruptura, o que nunca ocorreu ou provou-se claramente. As declarações de Bia Kicis alimentam esse debate, especialmente entre eleitores que ainda questionam a lisura do pleito de 2022.
Veja o Iron Talks no link abaixo.
Paulo S. Capeleti
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