Washington/Brasília – O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, posicionou o Brasil como uma exceção entre os países “amigos e aliados” dos EUA na América Latina, ao lado de nações como Cuba, Venezuela e Nicarágua. Em declarações recentes, Rubio destacou preocupações com o Estado de Direito, o ativismo judicial do Supremo Tribunal Federal (STF) e a aparente falta de combate efetivo ao crime organizado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Rubio criticou o que descreve como um “colapso do Estado de Direito” no Brasil, citando ações do STF contra figuras políticas de oposição, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, e decisões que teriam enfraquecido operações anticorrupção. Ele também anunciou a designação de duas das maiores facções criminosas brasileiras — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — como organizações terroristas estrangeiras, medida que entra em vigor em junho de 2026. Essa decisão reflete a percepção de que o Brasil não age com suficiente rigor contra redes que se estendem aos EUA e à região.
Rubio e aliados nos EUA apontam que decisões do STF, especialmente sob relatoria de ministros como Alexandre de Moraes, teriam contribuído para soltar condenados por corrupção e desmantelar a Operação Lava Jato, uma das maiores investigações anticorrupção da história da América Latina. A operação revelou um esquema bilionário de propinas envolvendo Petrobras, construtoras e políticos, mas muitos processos foram anulados por supostas irregularidades processuais, parcialidade de juízes como Sergio Moro ou incompetência de foro.
Críticos argumentam que isso criou um ambiente de impunidade, permitindo a volta de condenados à vida pública e enfraquecendo o combate à corrupção sistêmica.
A designação das facções como terroristas pelo Departamento de Estado americano ressalta a expansão transnacional do PCC e CV, envolvidas em tráfico de drogas, ataques a autoridades e influência em presídios. Rubio afirmou que essas organizações são “das mais violentas do Brasil” e que suas redes alcançam os EUA. A medida visa congelar ativos e facilitar ações contra seus financiamentos, em um contexto de críticas à suposta omissão do Executivo brasileiro.
O Brasil é signatário de importantes convenções contra corrupção e crime organizado, mas enfrenta críticas por implementação deficiente:
Esses compromissos internacionais exigem resultados concretos em persecução penal e cooperação, áreas onde opositores apontam retrocessos.
Aqui vai uma lista compilada a partir de críticas recorrentes de opositores, relatórios internacionais e decisões judiciais:
O governo Lula rebate essas críticas como interferência externa e “lawfare” contra o Judiciário brasileiro, defendendo a independência dos Poderes e ações contra ameaças antidemocráticas. O Planalto classifica as declarações de Rubio como ideológicas e anti-América Latina.
A tensão entre Brasília e Washington continua, com possíveis impactos em comércio, sanções e cooperação em segurança. O Brasil, uma das maiores economias emergentes, enfrenta o desafio de equilibrar soberania judicial com compromissos globais contra corrupção e crime organizado.
Vale ressaltar, que muitos que tiveram seus processos anulados pelo STF, estarão concorrendo à cargos na próxima eleição, o que ocorreu com o atual mandatário da nação.
Paulo S. Capeleti
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