A influenciadora literária Caroline Garcia perdeu sua conta no Instagram, que tinha mais de 41 mil seguidores, após se recusar a divulgar livros de romance LGBTQ+. Segundo ela, a situação começou depois que uma autora teve acesso ao seu mídia kit e criticou sua decisão de não trabalhar com esse tipo de conteúdo.
Em entrevista ao Pleno.News, Caroline contou que a autora entrou em contato por mensagem privada para questionar sua posição e teria reagido de forma negativa após receber uma explicação sobre o perfil de seu público.
– Eu tentei explicar pra ela que não é o tipo de temática de livro que agrada o meu público, porque o meu público sempre foi muito nichado: um público totalmente feminino formado por leitoras de romance. Então, eu conheço meu público – relatou.
A influenciadora disse que a discussão ganhou proporções maiores quando sua conversa privada com a autora foi compartilhada por terceiros. Após a repercussão, ela publicou um posicionamento em suas redes sociais e passou a receber críticas de integrantes da comunidade LGBT e de outros usuários da internet.
Segundo Caroline, muitas pessoas classificaram sua decisão como homofobia. Ela, porém, afirma que sua escolha está relacionada apenas às preferências de leitura e ao perfil do público que acompanha seu trabalho.
– Eu não leio, porque eu não tenho o costume de ler mesmo e nunca me interessei por esse tipo de obra. Inclusive, eu leio livros que tenham personagens LGBT. Já li, assisti várias séries e filmes. Porém, eu não tenho interesse em livros que são voltados para isso – declarou.
A situação, segundo a influenciadora, evoluiu para ataques pessoais. Ela conta que usuários passaram a procurar informações sobre sua vida privada, incluindo referências ao seu marido e ao filho de 7 anos.
– As pessoas falando que eu deveria morrer, que eu e toda a minha família deveria morrer. Eu recebi um comentário muito pesado de uma pessoa falando exatamente essas palavras: “que eu deveria morrer e que o meu filho deveria morrer também para que o meu gene ruim não ficasse por aí” – afirmou.
Caroline também relatou ter sido alvo de ofensas racistas durante a onda de ataques. Apesar disso, disse que as mensagens direcionadas ao filho foram as que mais a afetaram emocionalmente.
– Eu recebi inúmeros ataques racistas, gente me chamando de macaca, cabelo duro. E nada disso me afetou tanto quanto receber ataques contra o meu filho. Com certeza essa foi a pior parte – lamentou.
Além da repercussão nas redes sociais, a influenciadora afirmou que perdeu contratos com grandes editoras. Entre elas, citou parcerias com Arqueiro, Globo Livros, Harlequin, Paralela, Gutenberg, Jangada e outras empresas do setor.
Segundo Caroline, as editoras já tinham conhecimento prévio de sua posição sobre a divulgação de obras com temática LGBT, pois essa informação constava nos formulários de parceria e também era pública em seus perfis.
– Eu deixo muito claro para todas as editoras e para todo autor que entra em contato comigo que eu não leio e não divulgo livros com temáticas LGBT. Então, isso não era novidade para ninguém que trabalhava comigo – declarou.
O bloqueio definitivo da conta representou mais um impacto em meio à sequência de ataques virtuais. Além da perda do perfil, ela afirma que teve o trabalho de anos comprometido, já que utilizava a rede social como principal canal de contato com seguidores, autores e editoras.
Caroline disse que pretende buscar medidas legais para tentar recuperar a conta. Segundo a influenciadora, será necessário contratar um advogado para analisar o caso e acionar os meios cabíveis junto à plataforma, na tentativa de reaver o perfil e restabelecer sua atividade profissional nas redes sociais.
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