Redação ZY3-Radio
São Paulo, 07 de julho de 2026 – Uma das maiores fraudes tributárias da história recente de São Paulo envolve o Banco Itaú Unibanco e um suposto escritório em Poá, na Grande São Paulo. Segundo reportagem do Metrópoles, o banco teria montado estruturas de fachada para pagar alíquota menor de ISS (0,25% em Poá contra 2% na capital), gerando uma dívida estimada em cerca de R$ 20 bilhões com os cofres públicos da cidade de São Paulo.
O vídeo “O golpe de R$ 20 bilhões: como o Itaú virou o maior devedor de São Paulo” detalha que, por trás da placa “Itaú – unidade empresarial Poá”, não havia operação real. O local, um pequeno espaço de cerca de 14 m² acima de um supermercado, era praticamente vazio. Em 2019, durante CPI da Sonegação Tributária presidida pelo então vereador Ricardo Nunes (hoje prefeito), a visita ao endereço revelou a ausência de funcionários e atividades compatíveis com as declarações do banco.
Diretores do Itaú, questionados em depoimento, admitiram não frequentar o suposto escritório. Isso reforçou a tese de atas falsas de reuniões e simulação de domicílio fiscal. A CPI comprovou a irregularidade, levando o Conselho Municipal de Tributos a aplicar multa qualificada (100% adicional) por má-fé e dolo. O banco transferiu as operações para São Paulo após acordo, mas não quitou os débitos retroativos de 2015 a 2019.
Hoje, o Itaú lidera o ranking dos maiores devedores de São Paulo. O valor devido, segundo a Prefeitura, poderia financiar milhares de ambulâncias, UPAs, escolas e outros serviços essenciais à população. Uma nova CPI do Devedor na Câmara Municipal aprovou requerimento para que o banco preste esclarecimentos. O Ministério Público teria sinalizado possível indiciamento por sonegação, fraude, falsidade ideológica e outros crimes.
O banco contesta as acusações de fraude. Em nota, o Itaú Unibanco afirma que recolheu regularmente o ISS para o município de Poá entre 1992 e 2019, onde mantinha estrutura administrativa. A disputa com São Paulo seria sobre o local correto de tributação, não sobre o não pagamento do imposto. O banco declara que decisões judiciais de mérito até o momento lhe são favoráveis e que as cobranças estão suspensas por garantias apresentadas em juízo, garantindo eventual pagamento caso perca definitivamente.
Em 2019, o Itaú firmou acordo com a CPI anterior e com Poá, transferindo operações e oferecendo compensação financeira temporária ao município afetado.
O caso levanta questões graves sobre planejamento tributário de grandes instituições financeiras versus o interesse público. Enquanto cidadãos comuns enfrentam rigor na cobrança de impostos, dívidas bilionárias de grandes bancos geram controvérsia e mobilizam CPIs.
O Ministério Público não demonstra leniência específica neste caso tributário; ao contrário, há indícios de que pode avançar na esfera criminal. Este episódio reforça a necessidade de transparência e aplicação igualitária da lei, valores alinhados ao compromisso com a verdade e a justiça social.
A Redação ZY3-Radio acompanha o desenrolar do caso, com base em fontes públicas e buscando ouvir todos os lados. O processo segue em discussão judicial e parlamentar. Qualquer decisão final da Justiça poderá alterar o panorama.
Paulo S. Capeleti
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