O combate ao crime organizado transnacional, a disputa geopolítica na América Latina e o controle de minerais críticos foram os principais temas levantados por Daniel Perez durante sua sabatina no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, realizada nesta quinta-feira, 16. A audiência é etapa obrigatória para que sua indicação ao posto de embaixador americano no Brasil seja confirmada.
Escala continental e riquezas naturais em destaque
Perez ressaltou o peso do Brasil no cenário hemisférico ao afirmar: “O Brasil não é simplesmente nosso maior parceiro comercial na América do Sul. É um país de escala continental e extraordinárias riquezas naturais, além de ter consequências estratégicas crescentes. Sua trajetória nos próximos anos vai modelar a segurança, a prosperidade e influenciar todo o hemisfério.”
A fala deixou clara a visão do indicado de Donald Trump sobre a relevância do país sul-americano para os interesses de Washington. Entre suas prioridades, Perez listou o fortalecimento da cooperação bilateral em segurança, comércio e investimentos, além de uma atuação conjunta mais robusta contra organizações criminosas.
Ameaças à segurança e presença de potências estrangeiras
Durante a audiência, o futuro embaixador declarou que os Estados Unidos enfrentam “desafios de segurança reais” ligados ao Brasil. Ele mencionou especificamente a atuação de organizações criminosas transnacionais e o avanço da presença de potências estrangeiras na região — embora não tenha citado a China diretamente.
As reservas brasileiras de minerais críticos também receberam atenção de Perez. Segundo ele, esses recursos são estratégicos para cadeias produtivas ligadas à indústria de alta tecnologia e à segurança nacional americana.
Vale lembrar que Trump já classificou as facções criminosas brasileiras como terroristas, o que amplia o contexto das preocupações de segurança apresentadas na sabatina.
Tarifa sobre o etanol e tensões comerciais
No campo econômico, Perez trouxe à tona um ponto recorrente nas negociações comerciais entre os dois países: a tarifa aplicada pelo Brasil sobre o etanol produzido nos Estados Unidos. A questão está entre os argumentos apresentados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) na investigação comercial conduzida contra o Brasil, processo que resultou na imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Apesar das críticas pontuais à política comercial brasileira, o indicado adotou um tom conciliador. Perez defendeu o aprofundamento da relação bilateral e sinalizou disposição para dialogar com o governo brasileiro.
Próximos passos da indicação
A confirmação de Daniel Perez como embaixador dos Estados Unidos no Brasil ainda depende da aprovação pelo Senado americano. Caso seja ratificado no cargo, ele deverá colocar em prática as prioridades apresentadas na sabatina, que incluem a ampliação da cooperação em segurança e o estreitamento dos laços comerciais entre as duas maiores economias das Américas.
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