noticias221 Justiça decreta falência do Grupo Ricoy e 33 empresas entram em colapso com dívida de R$ 461 milhões

Brasil

Justiça decreta falência do Grupo Ricoy e 33 empresas entram em colapso com dívida de R$ 461 milhões

Mais uma rede varejista sucumbe: 33 empresas do grupo são atingidas pela decisão judicial em São Paulo

Publicada em 01/09/2026 às 09:30h - 46 visualizações - Contra Fatos


Justiça decreta falência do Grupo Ricoy e 33 empresas entram em colapso com dívida de R$ 461 milhões



Enquanto o governo federal insiste em narrativas otimistas sobre a economia, a realidade do setor produtivo brasileiro conta outra história. A Justiça de São Paulo acaba de decretar a falência de 33 empresas do Grupo Ricoy, uma rede com mais de 40 anos de tradição no varejo alimentar paulista, que operava sob as bandeiras Ricoy e Vencedor Atacadista. O grupo acumula cerca de R$ 461 milhões em dívidas distribuídas entre mais de 4,6 mil credores.

Plano de recuperação rejeitado e proposta alternativa fracassada

A recuperação judicial havia sido iniciada em novembro do ano passado, mas o desfecho foi desastroso. Os credores da Classe III rejeitaram o plano de reestruturação apresentado pela empresa. Uma proposta alternativa também naufragou, conseguindo reunir apenas 0,185% dos votos presentes na assembleia — muito abaixo dos 35% necessários para que a votação fosse válida. Com isso, a recuperação judicial foi convertida em falência.

Juros altos e avanço da concorrência entre as causas da crise

O próprio Grupo Ricoy apontou uma série de fatores para explicar a derrocada. Entre eles, a expansão agressiva dos atacarejos e das grandes redes no mercado paulista, a redução das margens de lucro, os impactos fiscais decorrentes da incorporação do Grupo Russie e, de forma significativa, a alta dos juros e o encarecimento do custo do capital de giro — um reflexo direto do ambiente econômico que o país atravessa.

Operação já nascia deficitária na abertura do processo

Quando a recuperação judicial foi aberta, 33 lojas ainda mantinham suas portas abertas. No entanto, o faturamento já ficava abaixo do ponto de equilíbrio mensal, estimado em torno de R$ 45 milhões. A situação só piorou durante o processo: 19 unidades encerraram suas atividades. Para agravar o quadro, as empresas simplesmente pararam de entregar documentos financeiros, contábeis e trabalhistas à administradora judicial a partir de fevereiro de 2026.

Nenhuma loja funcionava regularmente em agosto

A atualização mais recente da administradora judicial revelou um cenário desolador. Nenhuma unidade do grupo mantinha funcionamento regular neste mês de agosto. Algumas lojas ainda contavam com funcionários e realizavam aberturas esporádicas, mas sem qualquer item disponível para venda nas prateleiras. Mesmo com a decretação da falência, a decisão judicial não determina o fechamento imediato de todas as lojas. O destino dos pontos comerciais e dos ativos remanescentes será definido ao longo do processo de liquidação.

Irregularidades com máquinas de cartão e fábrica paralisada

A administradora judicial Vivante Gestão e Administração Judicial trouxe à tona informações preocupantes. Segundo o documento, algumas unidades utilizavam máquinas de cartão que direcionavam os pagamentos para empresas diferentes daquelas que estavam em recuperação judicial — uma prática que levanta sérias suspeitas. Além disso, a fábrica de laticínios do grupo, localizada no Mato Grosso, está com suas atividades suspensas.

Visitas realizadas pela equipe de fiscalização confirmaram a redução generalizada das atividades e o encerramento das operações em 19 unidades que anteriormente funcionavam. O documento, porém, não detalha quais lojas específicas foram fechadas.

Esvaziamento patrimonial e prejuízo aos credores

Para a Justiça, o caso configura uma falência relacionada tanto à rejeição do plano de recuperação quanto ao esvaziamento patrimonial capaz de provocar a liquidação substancial das empresas e prejudicar os credores. Uma conclusão que evidencia a gravidade da situação.

Bloqueio de bens e determinações judiciais

A decisão judicial trouxe uma série de medidas imediatas. A Vivante Gestão e Administração Judicial ficará responsável por arrecadar e avaliar os bens, documentos e livros contábeis das 33 companhias atingidas. A Justiça determinou ainda o bloqueio de contas bancárias, ativos financeiros, veículos e imóveis registrados em nome das empresas.

Foram também suspensas ações e execuções contra o grupo, ressalvadas as exceções previstas em lei, e ficaram proibidos quaisquer atos de venda ou transferência de patrimônio sem autorização judicial. Após a publicação do relatório, os credores terão prazo de 15 dias para apresentar habilitações ou divergências diretamente à administradora judicial.

Situação indefinida para lojas em Franco da Rocha e Caieiras

O documento analisado não esclarece a situação individual das unidades localizadas em Franco da Rocha e Caieiras. Não há na decisão uma determinação expressa de fechamento imediato dessas lojas. O funcionamento e o destino de cada estabelecimento deverão ser definidos durante o levantamento dos bens e a administração do patrimônio das empresas falidas. Também não consta no documento qualquer manifestação do Grupo Ricoy sobre a continuidade das operações nas duas cidades.

A reportagem do iG entrou em contato com o Grupo Ricoy para questionar os relatos e saber sobre a situação das lojas e a continuidade das operações. Até o momento, não obteve retorno. O espaço segue aberto.

 




ATENÇÃO:Os comentários postados abaixo representam a opinião do leitor e não necessariamente do nosso site. Toda responsabilidade das mensagens é do autor da postagem.

Deixe seu comentário!

Nome
Email
Comentário
0 / 500 caracteres

Captcha do formulário de Comentários
Insira os caracteres no campo abaixo:








Nosso site ZY3 Nosso Whatsapp (12) 9 9612-4827
Visitas: 735599 Usuários Online: 1
Copyright (c) 2026 - ZY3 - R. Manoel Joaquim de Oliveira, 444 - Monte Castelo, SJC - SP, 12215-090
Mensagem