O presidente Javier Milei consolidou sua posição como principal força política da Argentina ao transformar as eleições legislativas de 2025 em um verdadeiro plebiscito sobre seu governo. Com mais de 40% dos votos em todo o país, a coalizão La Libertad Avanza (LLA) superou amplamente o peronismo, reunido sob a sigla Fuerza Patria, que obteve 24,5%.
A disputa foi acirrada até mesmo na Província de Buenos Aires, reduto histórico do kirchnerismo, onde o governo conseguiu disputar voto a voto o primeiro lugar — um feito inédito desde 2007.
Avanço territorial do governo
O bloco libertário obteve vitórias expressivas em Córdoba, Santa Fe, Mendoza e na Cidade de Buenos Aires, onde manteve sua aliança com o Pro, partido de Patricia Bullrich e Mauricio Macri. A LLA também venceu em Entre Ríos, Salta, Corrientes, Chaco, San Luis, Jujuy, Tierra del Fuego e Santa Cruz, ampliando sua base em regiões antes dominadas pela oposição.
O resultado redesenha o mapa político argentino e consolida Milei como o líder com maior presença territorial desde 2015.
Derrota peronista e fragmentação regional
O Fuerza Patria, herdeiro do tradicional movimento peronista, teve desempenho abaixo do esperado. A antiga estrutura municipal que sustentava a esquerda mostrou pouco fôlego fora de seus bastiões, mantendo o controle apenas de Formosa, Tucumán, Santiago del Estero, Catamarca, La Rioja e La Pampa, e ainda assim, com margens reduzidas.
Já a coalizão Provincias Unidas, formada por seis governadores regionais, não conseguiu romper a polarização entre governo e peronismo, encerrando o pleito sem expressão nacional.
Congresso mais favorável a Milei
Com a renovação parcial das casas legislativas, o novo Congresso Nacional tende a ser mais alinhado ao governo. A La Libertad Avanza conquistou 64 assentos na Câmara dos Deputados, contra 31 da Fuerza Patria, e ampliou sua bancada no Senado, com 12 novas cadeiras.
Em disputa estavam 127 das 257 cadeiras da Câmara e 24 das 72 do Senado. Com o desempenho, Milei garante maioria suficiente para manter vetos presidenciais e ganhar força nas reformas econômicas e administrativas prometidas desde o início do mandato.
Mesmo assim, a governabilidade dependerá de acordos com o chamado “bloco do meio”, grupo de parlamentares sem alinhamento automático com o Executivo — equivalente ao “centrão” brasileiro.
Abstenção recorde preocupa analistas
Apesar do resultado favorável ao governo, a participação eleitoral caiu para menos de 70%, o índice mais baixo desde a redemocratização de 1983. A queda na mobilização popular, já observada nas eleições regionais anteriores, é vista por analistas como um sinal de descontentamento e fadiga política.
Reforço de liderança e horizonte até 2027
A vitória amplia o mandato de Milei e fortalece sua agenda liberal, reforçando sua imagem como o principal nome da direita argentina. O avanço sobre Buenos Aires e outras províncias históricas do peronismo quebra a lógica de domínio territorial que marcou a política do país nas últimas décadas e projeta Milei como favorito nas eleições presidenciais de 2027.
Como funcionam as eleições legislativas argentinas
As eleições ocorrem a cada dois anos e renovam parcialmente o Congresso Nacional, formado por 257 deputados e 72 senadores.
Deputados: mandato de 4 anos, com metade da Câmara (≈128 cadeiras) renovada em cada pleito.
Senadores: mandato de 6 anos, com um terço das províncias (8 por ciclo) elegendo representantes a cada dois anos.
Sistemas eleitorais
Câmara dos Deputados: eleição proporcional com listas fechadas — o eleitor vota em partidos, não em candidatos.
Senado: sistema majoritário, em que duas cadeiras vão para o partido mais votado e uma para o segundo colocado, garantindo pluralidade regional.
As coligações precisam superar 1,5% dos votos válidos nas Paso (primárias obrigatórias) para disputar o pleito geral. O voto é obrigatório para cidadãos entre 18 e 70 anos, facultativo para jovens de 16 e 17 e maiores de 70.
As eleições de 2025, realizadas com a boleta única de papel, serviram como pleito de meio mandato do governo Milei e foram fiscalizadas pela Câmara Nacional Eleitoral (CNE). Os eleitos assumem em 10 de dezembro.
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