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Israel e Líbano buscam soluções para desarmamento do Hezbollah

Professor Danny Orbach fala sobre reunião em Roma que deu início a nova etapa no processo histórico, mediado pelos EUA

Publicada em 05/08/2026 às 09:24h - 30 visualizações - Revista Oeste


Israel e Líbano buscam soluções para desarmamento do Hezbollah



Israel e Líbano iniciaram em 4 de agosto de 2026, em Roma, negociações mediadas pelos EUA para definir a verificação do desarmamento do Hezbollah no sul do Líbano. O processo ocorre em um contexto histórico, com o presidente libanês Joseph Aoun defendendo que apenas o Estado deve controlar as armas, buscando apoio dos EUA para fortalecer o Exército libanês. As conversas incluem a escolha de países para monitorar as áreas desarmadas, com resistência do Líbano à presença de representantes israelenses.

Israel e Líbano iniciaram nesta terça-feira, 4, em Roma, uma rodada de negociações mediadas pelos Estados Unidos para definir quem ficará responsável pela verificação do desarmamento do Hezbollah no sul do território libanês.

O processo ocorre em um momento considerado histórico na relação entre Israel e Líbano. Desde o fim da guerra civil, em 1990, o país conviveu com grupos armados independentes do Estado e ligados a forças hostis a Israel.

Durante décadas, o sul libanês foi usado como plataforma para ataques contra o território israelense, primeiro por organizações palestinas armadas e, posteriormente, pelo grupo terrorista Hezbollah, que se transformou na principal força militar não estatal do país.

A mudança ganhou força com a eleição do presidente Joseph Aoun, em janeiro de 2025. Cristão maronita e ex-comandante do Exército libanês, Aoun passou a dizer que apenas as instituições oficiais do Estado devem controlar as armas no país e adotou uma postura mais dura em relação ao Hezbollah.

“Acredito que as intenções de Aoun sejam, em linhas gerais, positivas”, afirma a Oeste Danny Orbach, professor associado de história e estudos asiáticos na Universidade Hebraica de Jerusalém.

O presidente libanês afirmou em diferentes ocasiões que a atuação militar do grupo não trouxe benefícios ao Líbano e que sua chamada “resistência” não contribui para os interesses nacionais. Para Aoun, o fortalecimento do Exército libanês é essencial para recuperar a autoridade do Estado sobre todo o território.

“De forma mais clara do que muitos de seus antecessores, ele parece compreender que o Líbano não pode se tornar um Estado normal, próspero e soberano enquanto permanecer preso a uma cultura de ‘resistência’ e sujeito a grupos armados ligados a potências estrangeiras”, prossegue Orbach.

Mesmo depois de um cessar-fogo formalizado em novembro de 2024, a tensão na região é permanente, com frequentes combates entre tropas israelenses e extremistas. Israel ainda não se retirou completamente do sul do Líbano. A retirada foi parcial, mas permanecem forças israelenses em posições estratégicas, com o argumento de que o Hezbollah não se desarmou.

A posição de Aoun aproximou Beirute de Washington. Em 21 de julho de 2026, Aoun foi recebido por Donald Trump na Casa Branca. A reunião que teve como temas centrais o futuro do Hezbollah, o papel das Forças Armadas libanesas e a estabilidade no sul do Líbano.

Durante o encontro, o presidente libanês buscou apoio norte-americano para ampliar a capacidade do Exército do Líbano e avançar no processo de concentração do poder militar nas mãos do Estado.

As negociações em Roma tratam justamente de uma das etapas mais sensíveis desse processo: definir quais países serão responsáveis por verificar se as áreas assumidas pelas Forças Armadas libanesas durante a fase inicial do desarmamento do Hezbollah estão livres de combatentes e de armas do grupo. A Itália é uma das possibilidades avaliadas.

“Essas forças repetidamente arrastaram o país para aventuras militares e ciclos destrutivos que grande parte da população libanesa não escolheu e sobre os quais não tem controle”, diz o professor.

As conversas foram confirmadas pelo Departamento de Estado norte-americano. O porta-voz Tommy Pigott afirmou que os EUA continuam apoiando os governos israelense e libanês para que o processo resulte em segurança duradoura, elimine ameaças contra Israel e fortaleça a autoridade do Estado libanês no sul do país.

Monitoramento no Líbano é debatido por Israel

Na terça-feira, o comandante do Exército libanês, general Rodolphe Haykal, reuniu-se com o comandante do Comando Conjunto de Operações da Itália, tenente-general Giovanni Maria Iannucci.

Segundo as Forças Armadas libanesas, o encontro abordou a situação regional, os desafios enfrentados pelos militares libaneses e as alternativas para o período posterior ao encerramento da missão da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil).

O mecanismo de fiscalização tornou-se o principal ponto de negociação. Israel inicialmente defendia a ideia de que seus próprios representantes tivessem autorização para entrar nas áreas controladas pelo Exército libanês e confirmar que o Hezbollah havia sido retirado e que seus arsenais haviam sido eliminados.

A proposta encontrou resistência do governo libanês. Com isso, autoridades dos três países passaram a discutir a participação de uma ou mais nações estrangeiras para realizar a inspeção.

Israel e EUA também rejeitam a extensão do mandato da Unifil, força multinacional da Organização das Nações Unidas (ONU), que deve encerrar sua missão no fim deste ano. Os dois países não querem que a organização seja responsável pela verificação final das áreas no terreno.




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