No programa Conduta Médica, da ZY3 Rádio, o Dr. Felipe Araújo recebeu a médica Anete (endocrinologista com formação também em psicologia e medicina natural) para um bate-papo profundo sobre um tema que atravessa consultórios de todas as especialidades: o sofrimento como queixa central na anamnese.
Mais do que um sintoma isolado, o sofrimento é descrito pela convidada como um estado em que a pessoa se encontra. Pode ser físico, emocional, mental ou até espiritual. “A dor é um sintoma subjetivo. O sofrimento é o estado. Alguém pode ter dor e não sofrer, ou sofrer sem dor aparente. Tudo depende de como a pessoa interpreta aquele momento da vida”, explicou a médica.
A conversa reforçou a inseparabilidade entre o físico e o psíquico. Dr. Anete lembrou experimentos clássicos, como os de Pavlov no século XIX, que já mostravam como o estado emocional altera funções corporais (produção de ácido clorídrico, por exemplo). Hoje, a ciência confirma essa relação por meio de exames de imagem e estudos de comportamento.
O cortisol, hormônio do estresse tão falado nas redes sociais, foi colocado em perspectiva. “Muita gente chega pedindo dosagem de cortisol. A primeira pergunta que faço é: você tem pressão alta? Porque cortisol elevado eleva a pressão. Se a pressão está baixa, é improvável que seja esse o problema”, alertou. O excesso real (síndrome de Cushing) deixa marcas claras no corpo: rosto em lua cheia, estrias e hipertensão.
Os termos “ansiedade” e “depressão” são usados de forma ampla e, muitas vezes, imprecisa. Nem toda tristeza é depressão clínica, nem toda preocupação é transtorno de ansiedade. Existe a ansiedade positiva: aquela energia que impulsiona, faz sonhar e se preparar. O problema começa quando o equilíbrio se quebra.
Sinais de alerta citados no programa incluem:
Quando o estresse se cronifica, o organismo “cobra a conta”: intestino, fígado, metabolismo e até o controle do apetite sofrem. Muitos pacientes caem em mecanismos de compensação, como compulsão alimentar. “Comer lasanha dá prazer, mas prazer não é felicidade. É passageiro. Depois volta a tristeza e o ciclo se repete”, observou a médica.
A saída, segundo a convidada, passa por escolhas cotidianas que reorganizam neurotransmissores. Atividade física (mesmo 20 a 30 minutos de caminhada) libera serotonina e dopamina, alivia dor e regula o humor. Ela mesma pratica caminhada rezando: “Volto leve, com a sensação de missão cumprida”.
O aspecto espiritual também entrou na conversa. Para a médica, o ser humano é um todo: material e espiritual. “O que não é material é espiritual. Raiva, tristeza, saudade… tudo isso transcende o físico. Hipócrates já via o paciente de forma integral”, afirmou. O médico, portanto, precisa enxergar a pessoa completa, e não apenas a queixa isolada.
O sofrimento, quando bem escutado na anamnese, deixa de ser apenas um sintoma e se transforma em porta de entrada para o cuidado integral. Ele revela desequilíbrios no corpo, na mente e, muitas vezes, na dimensão espiritual. E o caminho de alívio passa por escuta atenta, investigação científica séria e, acima de tudo, pelo olhar que reconhece o ser humano em sua totalidade.
A ZY3 Rádio continua trazendo conversas como esta, que unem ciência, fé e sensibilidade para ajudar o público a compreender melhor a si mesmo e a buscar saúde de forma completa.
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